DA
CRIANÇA AO PROFESSOR
Não me lembro muito bem, mas, mesmo
antes de frequentar a escola, pegava papel para rabiscar minhas primeiras
palavras e livros ilustrados para poder entender o que se dizia, mesmo sem
saber ler. Aos meus cinco anos de idade, meus pais matricularam-me na escola da
minha comunidade, na qual meu irmão também tinha estudado. Nunca esqueço que
fiquei muito feliz e ansioso para ir à escola. Todos os dias, meus colegas me
esperavam e íamos juntos, conversando sobre as atividades e brincadeiras que lá
realizávamos.
Quando completei seis anos de idade
e fui matriculado na 1ª série (antigo primário), já sabia escrever várias
palavras e ler bastante. Também recordo que eu adorava fazer “caligrafia” e
“ler” livros de contos. Minha mãe, uma mulher que gosta muito de ler, sempre me
incentivou, mas, como morávamos no interior da cidade, a distância e os
recursos financeiros dificultavam muito a obtenção de livros para que eu e meu
irmão pudéssemos ler. Na 5ª série, na mesma escola, o meu professor, que era
muito rígido, principalmente na leitura; solicitava que nós, alunos,
escolhêssemos um livro e, após a leitura, fôssemos à frente da turma, para explicar
o que havíamos entendido.
No
começo, ficava com muita vergonha, mas, hoje em dia, sei que aquela iniciativa
foi ótima para a minha desenvoltura, pois foi através disso que hoje consigo
falar em público sem nenhuma dificuldade. Outra atitude de que gostava era os
“cadernos de perguntas”. Não havia um aluno na classe que não o tivesse.
Competíamos para ver quem tinha o caderno com mais perguntas e respostas, pois,
assim, tornar-se-ia o mais popular da classe.
Leio
por prazer, pelo simples fato de encontrar na leitura uma forma de adquirir conhecimento,
abrandar a alma com palavras que têm o poder de aliviar o pensamento. Fui
crescendo e estudando, sempre com o intuito de ser alguém na vida. No ano de
2012, resolvi entrar na faculdade e cursar Letras, para assim realizar um dos
meus sonhos: o sonho de ser professor, ser professor da escola onde
estudei da 5ª série ao 3º ano do Ensino Médio. Sonho esse que já estou
realizando, sendo professor de português.
Hoje
em dia, trabalho com turmas desde a Educação Infantil ao 3º ano do Ensino
Médio. Como tive exemplos de bons professores que sempre me incentivaram a ler
e a escrever, tento sempre mostrar aos meus alunos a importância da leitura. Tento
mostrar-lhes que tudo o que pudermos ler sempre é bom, pois através das
leituras aleatórias, adquirimos gosto pela leitura e assim ter uma boa escrita.
Fico muito satisfeito quando, ao relatar um acontecimento da nossa literatura,
eles ficam compenetrados no assunto e sempre querem saber mais e mais. Também
ao trabalhar com produção de texto, e propor um tema de interesse deles e, ao
ler o que foi escrito fico encantado com a imaginação deles e o seu senso crítico,
apesar dos erros de ortografia, das redundâncias, entre outras inadequações que,
aos poucos, vamos corrigindo.
Sei
que tenho pouco tempo de experiência na área, mas sei que tenho muita vontade e
gosto muito do que faço. Dessa forma, do mesmo jeito que no passado fui
incentivado a ler e a escrever, tenho como objetivo passar aos meus alunos esse
mesmo gosto, porque como diz Daniel Pennac; “Ser leitor é ser uma raça
diferente dentro da raça humana, não melhor, não mais inteligente, apenas feliz
e satisfeita de uma maneira divinamente diferente”.
Jairo Goetz