SEM ASSUNTO
Não tenho nenhuma motivação para
redigir uma crônica. No entanto, o que me vem à cabeça é esse famoso “vazio”. Eu
sei que sou apenas um aluno/professor e que já é muito ser isso. Mas a minha
vaidade literária me diz que eu deveria ir mais longe: escrever uma crônica.
Porém, já estou percebendo que ser um escritor iniciante é mais difícil do que
parece. É preciso ter muito fôlego, muita dedicação, para que a qualidade dos
textos apareça.
A falta de assunto, não vai me impor
limites na arte de escrever. O meu domínio literário não admite ambiguidade
narrativa. Posso estar escrevendo, no máximo, duas crônicas por ano que serei,
além de um aluno/professor, um cronista ou um projeto de cronista, pois minha verdadeira
produção literária tem métrica poética.
Realmente, a falta de assunto deste
texto o torna estupidamente lento; podemos até compará-lo à construção de um
prédio residencial. A insistência me faz continuar escrevendo lentamente, quase
parando. O jeito é empurrar o texto, convencido de que algo está acontecendo.
Que o “prédio literário” está sendo construído aos poucos e que a narrativa
lerda está encontrando um caminho positivo. Não vou negar que estou escrevendo
com muita dificuldade, com uma vontade imensa de largar tudo e apertar a tecla
– DELETE – e fugir do problema. Pois, a falta de ideias é profundamente
desestimulante.
Estou vendo a minha pilha de provas e
redações para corrigir e continuo escrevendo esta crônica absolutamente
desinteressante. Mas estou resolvido a escrevê-la até o fim, por mais que doa, em mim, esta falta de assunto assustador, tão assustador que parece que eu não
tenho afinidade nenhuma com a escrita: indignação que me faz até lamentar o dia
de hoje e até de pôr um ponto final neste desastre narrativo. Mas como sou
teimoso e não admito ser menos que nenhum de meus colegas, continuo escrevendo,
mesmo sem ter assunto.
Todos
nós nos deparamos com esse tal de “branco” na hora de produzir; e é engraçado
como a falta de assunto se desdobra rumo ao nada. E, apesar deste texto ser uma
porcaria, ele se impõe categoricamente na imensidão de um fato do cotidiano.
Portanto, não há nada a fazer a não ser colocar palavras e mais palavras
formando assim uma ideia ou uma quase ideia.
Na
falta de assunto, enfim, inventei um texto que fala da necessidade de escrever
do escritor, mesmo quando não há assunto em questão. Sem dúvida, é um grande desafio
para nós, escritores iniciantes, pois exercita a criação artística do eu-produtor.
Não devemos nos abater com a falta de assunto, pois ela é, na verdade, também, um
assunto a ser questionado em sala de aula que dará muito pano para a manga.
Porém, dou-me por vencido; acaba aqui a minha falta de assunto, ciente de que
não faltou esforço para escrevê-la, ciente de que não vale a pena insistir em
um texto inexistente.
Jairo Goetz
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