Numa
vila ordinária, afastada da civilização urbana, um cachorro se espreguiça
embaixo de uma bananeira. Enquanto boceja, olha as mulheres em suas casas,
estendendo as roupas no varal ou fazendo qualquer coisa menos importante.
Um burro se aproxima, cumprimenta o cachorro e os dois observam o vilarejo juntos. Um homem passa ao longe, com velocidade de tartaruga, olhando para o céu.
Um burro se aproxima, cumprimenta o cachorro e os dois observam o vilarejo juntos. Um homem passa ao longe, com velocidade de tartaruga, olhando para o céu.
O burro logo diz:
"Engraçado, hoje de manhã brigaram comigo porque eu não queria sair
do lugar e quando comecei a andar, ralharam porque estava devagar demais. Mas
olha aquele homem ali. Está mais devagar do que eu pela manhã e ninguém briga
com ele".
O cachorro respirou fundo e respondeu ao burro:
O cachorro respirou fundo e respondeu ao burro:
"É assim mesmo
burro. Veja bem, eu sempre sou chamado de vida boa porque não faço nada o dia
inteiro. Mas nossos humanos não são diferentes de nós. Homens-do-mato eles são.
Também são bichos e não fazem nada da vida. Estou sentado aqui a manhã inteira
e nada aconteceu".
O burro então percebe que estão sendo vigiados:
O burro então percebe que estão sendo vigiados:
"Olha lá.
Estão olhando para a gente pelas janelas".
O cachorro logo
responde:
"Olhando o
quê? Não há nada para se olhar nesse 'lugarejo'. Posso garantir que nada vai
acontecer. A vida é lerda por aqui."
Jairo Goetz
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